segunda-feira, 14 de julho de 2025

Ritual

O pessoal do terreiro disse que eu devia fazer um ritual para o meu Exu. Disseram que assim eu poderia pedir algo — qualquer coisa.
Mas eu não queria nada.
Ou talvez quisesse o nada.

Continuei com aquilo na cabeça por horas. No fim, aceitei. Fiz o ritual.
E pedi pra perder os vícios que, vez ou outra, me arrastaram pra longe de mim mesmo.
Aquelas pequenas prisões que a gente constrói com o tempo, por costume, por medo, por angústia e solidão.

Desde então, a vontade de cair de novo nessas coisas não desapareceu.
Mas algo mudou.
Não nas entidades — nelas eu nem acredito direito.
Mas no ato. No ritual.

Talvez o poder esteja ali: no gesto, na intenção.
As pessoas depositam tanta fé que o universo parece se dobrar um pouco, como se prestasse atenção.
E às vezes, isso basta.